cliic 2.0

Congresso Laboratório de Inovação e Inteligência Coletiva

Naira Modelli

Considerações sobre o Encontro sobre Sustentabilidade com Peter Senge

Quem assistiu à palestra pela transmissão ao vivo do site do Banco Real, viu que Peter Senge não é “o cara” à toa. Sua oratória e seu domínio nos argumentos são de gente grande.

Primeiro, que em pleno “Encontro de Sustentabilidade”, ele chega dizendo que odeia essa palavra, e nem uma nem duas vezes, foram vários ataques, rs. Bom, ele pode. E ele está certo. Esta foi uma palavra que caiu na boca do povo indiscriminadamente, e acabou perdendo seu sentido.

Para bancar a empresa ecologicamente correta, qualquer empresa hoje em dia usa esta palavra. Basta comprar os lindos lixos coloridos para reciclagem e a empresa já se diz sustentável. É ou não é?

Bem, Peter Senge condenou esta prática, e emendou que as lideranças emergentes são atualmente as responsáveis pelo que chamou de resgate do sentido da sustentabilidade. Usou o termo empregado em seu livro “As 5 Disciplinas de Peter Senge”, o pensamento sistêmico, e defendeu que este é um processo desafiador e logicamente, com frutos a longo prazo.

E por falar em frutos a longo prazo, Peter Senge comentou bastante sobre os fatores climáticos em que o mundo se encontra, citou os países pouco (e falsamente) engajados com o problema, a falta de visão a longo prazo das superpotências (argh, só pra constar!) – eu estava adorando mas o pessoal do chat já estava perdendo a paciência – mas depois de um tempo voltou ao assunto com âmbito corporativo, que era o que o pessoal queria ouvir. Não sei, parece-me que esperavam por uma palestra sobre a Quinta Disciplina, mas ele estava ali para falar em Sustentabilidade, todos deveriam saber que o foco não era completamente corporativo, mas enfim…

O que ele quis dizer, em minha opinião, é que Sustentabilidade começa por nós mesmos, em todos os sentidos: Economico, Político, Social e Ecologicamente. De nada (ou pouco) adianta reciclar o seu lixo sem reduzí-lo. São nossas atitudes primárias que desencadeiam outros fatores (lembrei-me da Teoria do Caos na hora!), que por si próprios, atendem às nossas vontades e necessidades em colaborar e principalmente, ao mundo. A partir do momento em que nós nos conscientizamos de que o problema é GRAVE, e nos deixamos APRENDER com nossas ações, vamos cobrar, até subjetivamente, mas vamos. Exemplo econo-político-sócio-ecológico: Quantos produtos vocês vêem nas prateleiras dos supermercados cujas superproduções das embalagens são extremamente desnecessárias? Vai tudo pro lixo mesmo! Mas não, o produto tem que aparecer, custe o que custar. E a empresa produz e o povo compra, quem vai se lembrar de ser sustentável, diante daquela belezura de produto?

Ele falou sobre tudo isso, e depois exibiu um vídeo, assistam:

http://www.youtube.com/watch?v=WIvmE4_KMNw

O que ele quis dizer com isso? Simples. As mulheres arrumam maridos, geram filhos, não têm emprego e nem comida, ou seja, isto gera mais fome, mais miséria e menos estudo ainda. São 600 milhões de adolescentes pelo mundo sem acesso à educação e alimentação, princípios básicos, aliás, deveriam ser. 600 milhões de possíveis profissionais e educadores passando fome. O que a campanha quer não é responsabilizar a mulher pela fome e miséria no mundo, e sim, segundo o projeto, se estas adolescentes pudessem tem outras oportunidades, o mundo poderia mudar também.

Peter Senge é polêmico e um pouco criticado por suas teorias utópicas. Aqui estou expondo a mensagem que ele quis difundir durante a palestra toda, que por sinal, não é nenhuma novidade. Bem-estar social é o segredo para destravar nossas emoções. Nós somos a mudança, ninguém mais. Mas eu continuo sendo fã dele.

Um abraço!
(http://nairamodelli.wordpress.com)

Compartilhar 

Adicione um comentário

Você precisa ser um membro de cliic 2.0 para adicionar comentários!

Entrar nesta rede social

© 2010   Criado por bicudo no Ning.   Crie Sua Rede Social

Badges  |  Relatar um incidente  |  Privacidade  |  Termos de serviço

Entrar no bate-papo